Como a Virada Sustentável tentou unir noções ambiental e social na terceira edição em Porto Alegre

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Enquanto o Bloco da Laje animava a Redenção no fim da manhã deste domingo (8), Bruno Bredahl Ciria, 10 anos, aceitou a missão de colocar bolas azuis simbolizando determinados tipos de lixo dentro do cesto adequado. A brincadeira proposta pela Virada Sustentável, que chega ao fim após três dias de atividades em Porto Alegre, era um desafio porque Bruno, içado por um gancho de suspensão dentro de uma estrutura de vidro, tinha os movimentos guiados pela mãe, Mara Bredahl Filho, 45 anos, que comandava um painel.

A função do adulto norteando a criança sobre separação correta do lixo diz muito. Para os organizadores da Virada Sustentável, desde que a ONU lançou 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para serem cumpridos pelas maiores nações até 2030, houve avanço no comportamento dos cidadãos em relação ao ambiente. Um reflexo são os grupos de pessoas se unindo para consumir alimentos sem agrotóxico. O que falta é que essa consciência se massifique, responsabilidade que as escolas assumiram para si e que recai também sobre os pais, capazes de fazer cumprir dentro de casa atitudes mais conscientes.

Karine Dalla Valle / Agência RBS
O menino Bruno Bredahl Filho aceitou o desafio de colocar as bolas azuis dentro do cesto adequadoKarine Dalla Valle / Agência RBS

— O fluxo não está sendo da família para a criança, mas da escola para a criança — observa em tom de lamento Pedro Longhi, um dos organizadores do evento.

O caso de Bruno e Mara, porém, parece exemplar. Em apenas três minutos, o menino colocou as bolas dentro dos cestos de lixo adequados, reflexo de que os pais estão reforçando o que ele aprende em sala de aula.

— É a função dos pais de guiá-los — reconhece Mara, garantindo que faz o filho separar os resíduos corretamente.

Para despertar um comportamento em sintonia com as necessidades do ambiente, a terceira edição da Virada Sustentável criou um modelo de programação que tentou integrar não apenas noções ambientais, mas também econômicas e sociais. Assim surgiram 14 “trilhas temáticas” que incluíram os objetivos mundiais lançados pela ONU em 2015. A missão número 10 de redução das desigualdades sociais, por exemplo, inspirou a trilha “Vozes Negras”, que reuniu grupos e lideranças negras em Porto Alegre para aplicar atividades sobre a valorização da cultura afro. A número cinco, de igualdade de gênero, garantiu debates feministas.

— O entendimento de sustentabilidade é ambiental, econômico e social. Educação de qualidade é algo sustentável — observou Julia Froeder, envolvida na organização.

Karine Dalla Valle / Agência RBS
Dentro da proposta de unir atividades consideradas sustentáveis, Bloco da Laje representou pauta socialKarine Dalla Valle / Agência RBS

Houve uma consulta pública para discutir o que é considerado menos e mais sustentável em Porto Alegre. A programação, que se dividiu entre a Redenção, o campus da Unisinos em Porto Alegre, a Casa de Cultura Mario Quintana e o Sesc Protásio Alves, acabou sendo um mapeamento de tudo aquilo na cidade que passa a mensagem de um futuro diferente: desde a apresentação jovem e política do Bloco da Laje até  brinquedos feitos com bambu e coleta diária de resíduos.